sábado, 3 de novembro de 2007

Modernismos


Vamos combinar
definir, marcar
O passo.
Dois pra cá e pronto,
não se fala mais nisso.
Todo egoísmo rítmico
nenhuma divisão desfavorável
para mim, lógico.
Não é questão de egocentrismo,
não fale uma infâmia dessas,
é só a nova estratégia feminista do século,
algo muito parecido com armadura,
proteção, vacina,
você compreende,não?
Então! Larga tua flexa,
abaixa a cabeça,
venha com as pernas guardando o rabo...
E a bola? Bem baixa, muito baixa,
meu querido.
Ótimo! É assim que a gente gosta
É assim que a banda toca
E você tem que acompanhar
Vamos combinar
Dois
Dois pra cá!

domingo, 28 de outubro de 2007

Conversa de comadres


E nunca pense
que faço apologia
ao meu sentimentalismo descontrolado.
Não!
Só estou te mostrando
o lado bom
da minha moeda,
tentando te comprar – pode ser.
Porque o que eu quero é
deitar, rolar, ralar de amor,
sentir o cérebro corroer de culpa
por aquela ligação impulsiva,
o coração partir em mil,
masoquisar a vida
em trezentos amores semanais
ou eternizar a brisa
cheiro-de-rosa
num daqueles romanescos casais eternos.
Mas, minha cara,
entenda,
teu racionalismo tem prazo de validade,
dura até o duro virar líquido,
até você se derreter
e perder as rédeas.
Verás, acredite em mim, verás.
Quando estiver cega de amor.

sábado, 27 de outubro de 2007

Lançar-se


Entrou em seu vestido rubro
Disritmando qualquer tristeza
Na rua fez barulho
E fartou do vinho com justeza.

A sorte lida pela espanhola
Os planos para a noite enluarada
Tudo a postos, pássaro fora da gaiola
E hoje é dia da alegria escancarada!

Moçoilos aos xavecos
Deitam elogios desavergonhados
Mas será forte, espera
Difícil com tantos sussuros melados.

No último gole da madrugada
Quem és tu? Onde estou?
Deitada no peito em pêlos, atrapalhada
Mas satisfeita por tudo que restou.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Não se vá, menina


Hoje me apanhou subitamente a nítida certeza de que a maturidade está a postos em mim. Assisti a uma cena minha que de pronto me lançou numa reflexão perturbadora. Vinha do colégio, fatigada pelo sol tórrido alagoinhense a fritar meus miolos, quando reparei quatro colunas sustentando o teto da varanda de um bar que se encontrava fechado. Logo me veio a idéia de brincar agarrando cada um deles, deixar meu corpo girar ao seu redor, ir passando de um por um. Oh! Como seria divertido! Adoraria pôr em prática. Olhei em volta, havia pessoas. Que tristeza... Mas que nada! Danem-se as pessoas! Passou a primeira coluna. Ah! Mas tenho vergonha – pensei. Lá se foi a segunda. Mais uma olhada em volta, o pensamento me forçava a ver como seria delicioso folgar ali. Mais uma coluna passava. E depois a quarta. Acabou. Contive-me, repreendi meus ímpetos e não fiz nada. Acabava de sufocar minha criança interior. Caminhava, sem desviar o caminho, nem olhar pra trás, tampouco me arriscar. Aquilo me angustiou bastante. Quantas vezes disse que iria manter-me infantil o quanto pudesse, que mesmo adulta jamais mataria a Taiane criança. Mas não, a vida tem sua ordem própria, obedecemos às tendências psicológicas de cada idade. Talvez isso não seja essa tragédia toda que fiz e sim um sinal – positivo – de amadurecimento. Além disso não se pode continuar a agir como criança para sempre, seria tolice.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Um copo bem cheio de eu


Como dá trabalho ter este coração de menina-moça-mulher romântica. Eu sempre dou risada dos meus pezares. Quanta tolice! Sabe aquela que se deixa levar por marés boas e acariciar a alma por olhares pseudoapaixonados? Sou eu. A ligação pele-coração aqui é super eficiente. Até demais! Difícil é trocar de pele toda vez que o coração alarma perigo. Ai ai... este órgão pensa que manda, tão sem razão e ainda quer ter voz, como pode? Ninguém sabe... O que sei é a agonia de viver num despenhadeiro ora favorável ora desesperador. Ruim não é olhar lá pra baixo e ver o quanto meu corpo vai sofrer quando espatifado estiver e sim contemplar o céu azul tão lindo, pincelado de aves a planar, admira-lo tanto, tentar o tocar e ter por dentro a convicção do quão difícil isto é. Pois então... cada um tem lá suas pontadas internas, talvez esta seja a minha, mas não tenho certeza, nem sei se isso é mesmo um azar ou uma tristeza em demasia. Sentir-se assim é bom; desesperar, apertar o peito, alagar olhos, mirar o vazio numa lembrança que de tão doce arranca um risinho fino... Tudo isto nos ajuda bastante, tomar nosso sumo assim bem concentrado é uma dose perfeita de releitura pessoal. Momento ímpar.

Jhenni, do http://subindonotelhado.blogspot.com/ mandou...





1. pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2. abrir na página 161;
3. procurar a 5ª frase completa;
4. postar essa frase em seu blog;
5. não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6. repassar para outros 5 blogs.





Minha frase: " - Estiveste doente? - exclamou Jorge espantado."

O primo Basílio - Eça de Queiros





- quem quiser faz! :P

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Eu vi a tua Dolly!


Pode parecer coisa boba, raiva a toa, mas me irrita muito, me tira o salto! Consigo conceber criatividade deficiente, pouca inteligência, profundidade minguada; mas falta de personalidade é inconcebível! Não há nada mais “tapa na cara” do que ver sua idéia tronchamente estampada nos pertences doutrem. Assistir sua construção pousando de alheia na mão de um medíocre qualquer que, de tanto admirar seu feito e admitir para si próprio a impossibilidade de fazer algo similar por inspiração, resolveu “paraguaiar” sua lâmpada acesa cabeça acima; é de aumentar a pressão! Não se trata apenas de um capricho, por querer ser reconhecido pelo vanguardismo, não...não é isso. É questão de mérito, de ética, caráter. Não deixa de ser um furto, um vandalismo desavergonhado. Admirar, ovacionar, utilizar como base para uma obra futura, tudo isso é válido e lícito, mas xerocar é provocação. Sou de agüentar as raivas, medir palavras e ceder sempre um espacinho a mais, mas chega uma hora que o pote extravasa e não tem fineza certa! É como uma leoa defendendo a cria. Assim sou eu com minhas crias. Sempre fui e pelo andar da carruagem sempre serei. Não vejo mal algum nisso, é apenas uma maneira de garantir a legitimidade dos atos. E será que é tão difícil assim não copiar e arriscar algo próprio - ainda que ruim? Ou será que agora vou ter que patentear tudo? Ai ai...