
A gente escapa de correntes, da morte, mas para a felicidade o alvo está sempre na cabeça. Eu descobri dois minutos atrás que a cada vez que me sinto preocupada com futuro e coisas similares mais eu me distancio desse ar que inspiro e, mais ainda, toda vez que construo castelos fantásticos com areias de amanhã eu cuspo nesse lindo de pedras que piso. Não faço a menor idéia do porquê de estar falando disso agora se o que queria era comentar qualquer coisa a respeito de vazio, planos e ofensas pessoais.Só valorizamos o espaço preenchido enquanto vazio, só se sente o vento enquanto marcas na pele e só há suspiros pela flor murcha entre folhas de um diário. Eu queria sinceramente chorar um amor perdido, reprisar um amor esquecido, comentar um qualquer desejado, mas nada disso me pertence entre as mãos, então lá vem mais uma vez os planos encastelados, sujeitos às intempéries da minha vaga vida futura. E você, maldiga, xingue qualquer palavrão absurdo que te cale ou te esparrame os cinco dedos na face, por que qualquer risco de opinião agora é calúnia, e maldizer a sorte ou a presença de espaços a preencher é impaciência e falta de visão da realidade. Então, senta, ou melhor, viva e volte pra me contar.