domingo, 21 de outubro de 2007

Me nina, menina


A minha vida
na cadeia do pensamento
mãos, pés, língua
atados.
lágrimas em precipício
e tu com isso?
E eu, e nada
Abalos na estrutura
Gelatinando fibra por fibra.
Aquele ombro amigo
Em Footlight MT Light
Verde-petróleo
Macio, macio...
E nada.
Remédios não servem
Buscas inúteis
Eu preciso de mim
Isso sim
E só me encontro na cama
Boa noite.

sábado, 20 de outubro de 2007

Me abraça


Eu escrevi três textos, planejei falar de amor e sensações similares; mas não cabe. Comecei o dia bem, algumas conquistas materiais, felicidades. Só que é incrível como isso que tanto buscamos – felicidade – dura o instante exato de você inspirar, sentir e expirar.Só! O dia desenrolou e as verdades foram batendo na minha porta pouco a pouco. Ultimamente eu tenho me sentido assim, com vontade de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Vontade de apertar alguém bem forte e não largar mais nunca, vontade de contar tudo que me passa pra alguém interessado, vontade de me sentir segura, vontade de não ter que voltar, vontade...vontade... Acho que no fundo eu só precisava disso, falar. Não consigo nem organizar nada hoje, vai do jeito que saiu. Ta difícil. 02:30, domingo,outubro, 2007...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

E viro loba...


A madrugada é mesmo o berço das inquietudes psicológicas, digo porque me mostro em reviravoltas no desenrolar da ponte noite-dia. É difícil acreditar que neste horário tão produtivo as pessoas cismam em dormir. Veja só, dormir?! Não minha gente, como vocês são capazes? Este é o período do dia em que nós somos mais nós, no qual a negritude celeste facilita as ligações neurônicas e nos vemos impulsionados a aprofundar discussões – muitas vezes íntimas e solitárias. Pelo menos é desta forma que eu visualizo as horas posteriores à meia-noite. Como era de se esperar, este pequeno pensamento que vos trago foi tecido nas gélidas horas da antemanhã, enquanto procurava ingenuamente organizar alguns quebra-cabeças pessoais e deparando com a certeza de que nem tudo pode ser resolvido sozinho e pior, que quase tudo depende da boa vontade de Chronos, parei de digladiar com minhas âncoras – as quais minha personalidade, que tende ao drama, faz questão de manter a manutenção do aumento do peso - para degustar o frescor das três da manhã e conseqüentemente ir pouco a pouco caindo nos braços de Morpheu.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Clareando idéias turvas


Hoje Maristela acordou bem cedo. Debruçou-se sobre a janela e engoliu preguiçosamente o horizonte ainda sonolento. Sua cabeça estava em redemoinhos , sentimentos em revolta naquele pobre peito feminino, mas aquela aurora dava um tom ainda mais melancólico aos seus emaranhados sentimentais. É difícil definir o que a mexia, ora achava ser o fato de ter visto seu sonho acabado e a realidade devastadora a retirar o papel de parede deixando aparecer aquela vida tão cheia tédios; ora sentia-se estranhamente satisfeita por ter se livrado de algumas manchas cardíacas arroxeadas , feridas ridículas e medíocres. Suspiros a parte, lá estava ela, vendo Eos abrir o dia, tingindo o céu com seus róseos dedos, a pensar em qualquer solução para aquietar tantas pulsações descontroladas. Suas mãos delicadas a apoiavam o enigmático rosto, transparente e tão confuso quanto o interior. Ela precisava de uma solução qualquer para o dia seguir tranqüilo , ficar daquela maneira seria demasiadamente doloroso. Pensou, calculou, mediu, sentiu cada opção e se viu presa em mais um dilema: racionalizar seu sentimento ou provar a vida sem remédios? Não dava pra se desprender de tudo que a perturbava, por mais que pensasse nenhuma resolução seria suficientemente eficaz. Então deixou tudo assim como estava, o Sol a clarear os sentidos, a vida a traçar horizontes aleatórios e ela ali, a saborear tudo isso, de cara nua, sem véus nem passos medidos.

domingo, 7 de outubro de 2007

Meus olhos num domingo à noite






Eu preferia não cantar tristezas nesta noite de domingo
Tampouco falar de vazios interiores, lembranças cortantes
Não... definitivamente não queria
Mas há um firmamento em trajes negros
Cobrindo a cidade e cuspindo verdades inflamáveis
Um vento que espalha solidão pelas ruas e toca as feridas
É impossível não sentir, fechar os poros e passar intactos
E então, afetada fui, afetada estou faz tempos
As dores me comem pela beirada, cruamente numa ira sem fim
Eu me sinto partes, numa incompletude significativa
Talvez o desejo de lacerar seja supremo agora, ontem
Mas o abismo é pouco pro espaço que há aqui
Melhor seria o horizonte em colher farta
Isso sim... um rio de possibilidades
De luzes atraentes e histórias recheadas de vida
Muita vida para minhas depressões
E cortes?
Cicatrizantes eternos, ou não tão eternos assim
Apenas dormentes, aos olhos, ao coração
E agora é hora de dormir
de esconder dos pensamentos os desejos vãos
de mostrar ao coração os planos em verde musgo
de repousar o corpo e poupa-lo desta alma fervilhante.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Relatividades


E quando o ocaso vier,
Fazendo real
O cumprimento do dia que cai,
Acendendo brasas adormecidas,
Atiçando leões mornos,
Findando todo o concerto
De pássaros cândidos;
Eis que por um acaso,
Ou como queiram,
Conserto do destino,
Notas cálidas serão acentuadas,
A penumbra ascenderá
E fará das ruas
Assento da lua.
Mas nas janelas das moças,
Pobres moças!
Ficará do comprimento exato
Da solidão.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Ponto continuativo




E os planos que teci

embebedada num suspiro falso teu

hoje os dilacero

não por ódio ou desgosto

mas por falta de futuro.

De que adianata regar o estéril

berrar aos ventos, nadar contra a correnteza?

E é por isso que hoje eu derramo

o vazo cheio, eu entrego, rendo

dou o último passo e lanço no espaço

cada parte desta quimera.

Ó tola iniciação, ó pesares deixar-te.

Mas é o regaço que encontrei

para repolsar este pobre âmago.

E sobre este ponto continuativo

Recomeço falando de mim

tão somente de mim

eu eu-lírico, eu protagonista

eu corpo, eu alma

eu cuidados, eu trato

um eu por mim e mais ninguém

efêmero, decerto.